III Encontro de Estudos da Linguagem


II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem


 

14 e 15 de agosto de 2009 - Pouso Alegre - MG

Comissão Organizadora

Eni Orlandi (presidente)

Lauro José Siqueira Baldini

Norida Teotônio de Castro

Ronaldo Teixeira Martins

 

Apoio

Fabiane Vieira da Silva

Maria Eunice Machado

 

Comitê Científico

Andréia Silva Domingues

Eni Orlandi (presidente)

Lauro José Siqueira Baldini

Maria Onice Payer

Mírian dos Santos

Norida Teotônio de Castro

Ronaldo Teixeira Martins

Telma Domingues da Silva

 

Inscrições

 

Normas de Submissão

As inscrições devem ser feitas diretamente no site do evento (http://www.letras.etc.br/enelin) observando-se o seguinte calendário:

  • Com apresentação de trabalho: até o dia 19 de julho de 2009

  • Sem apresentação de trabalho: até o dia 13 de agosto de 2009

Normas para submissão de trabalhos

Cada participante inscrito poderá submeter apenas um trabalho.

São aceitos apenas resumos em português.

Os resumos devem ter entre 1.000 (mil) e 5.000 (cinco mil) caracteres, incluídos os espaços em branco.

O texto do resumo deverá conter, pelo menos, objetivos e dispositivos teórico-metodológicos do trabalho.

 

O trabalho a ser apresentado deverá se incluir em uma das duas áreas do evento, a saber:

 

  • Análise de Discurso; ou

  • Língua e Ensino.

 

 

Avaliação

 

Os resumos serão avaliados por dois pareceristas selecionados aleatoriamente entre os membros do Comitê Científico.

Os resultados da avaliação serão informados na página de resultados e por e-mail até o dia 31 de julho de 2009.

Serão aceitos para comunicação oral apenas os 12 trabalhos mais bem avaliados pelo Comitê Científico. Os demais trabalhos aprovados serão encaminhados para apresentação na modalidade de pôster.

 

Apresentação

Os resumos selecionados serão apresentados em uma das sessões de comunicação previstas no evento ou na Sessão de pôsteres.

Cada comunicação terá 30 minutos de duração (20 para apresentação e 10 para debate).

Os apresentadores poderão contar com computador e projetor multimídia (Datashow) durante suas apresentações.

 

 

Publicação

Os autores dos resumos selecionados poderão submeter a versão estendida de seus textos para publicação nos anais do evento.

 

Palestrantes

Palestrantes internacionais

 

Jean Marie Fournier é diretor de pesquisas e mestre de conferências em Ciências da Linguagem da Universidade de Paris III - Sorbonne Nouvelle.É licenciado em Letras Modernas pela Universidade de Provença (1980), mestre em Linguística pela Universidade de Provença (1981), e doutor em Linguística Teórica e Formal pela Universidade de Paris VII (1984). Foi também professor-leitor da Universidade de Timisoara (Romênia) e professor-associado do Instituto Nacional de Pesquisa Pedagógica (INRP).

 

Patrick Sériot é professor titular da cadeira de Linguística Eslava na Universidade de Lausanne (Suíça). Tem o doutorado pela Universidade de Grenoble III, e mestrado e licenciatura de russo pela Universidade de Paris IV. Foi pesquisador do CNRS (Laboratoire IMSECO, Paris) e professor de russo no Liceu Pablo Neruda (1976-1984) e no Liceu Champollion (1984-1985).

 

Palestrantes nacionais

 

Aparecida Maria Nunes é doutora (1997) e mestre (1991) em Letras, na área de Literatura Brasileira, pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo, Aparecida Maria Nunes é atualmente professora do curso de Letras da Universidade Federal de Alfenas. É autora do livro "Clarice Lispector jornalista" (2006), além de outros que organizou, para a editora Rocco, "Correio Feminino" e "Só para Mulheres", com textos inéditos da escritora. Foi professora titular do mestrado em Letras - Linguagem, Cultura e Discurso - da Universidade Vale do Rio Verde (MG) e atuou por mais de quinze anos como repórter e editora em São Paulo. Possui graduação em Letras - Português/ Inglês - pela Universidade de Mogi das Cruzes (1981) e, pela mesma universidade, recebeu o título de bacharel em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo (1978). É especialista em Lingüística Aplicada ao Ensino do Português, também pela Universidade de Mogi das Cruzes (1984). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria da Literatura e Literatura Brasileira. Atua principalmente nos seguintes temas: Clarice Lispector, Literatura e Jornalismo, Imprensa Feminina e Periodismo do século XIX no sul de Minas Gerais.

Eloésio Paulo dos Reis é Professor Adjunto II da Universidade Federal de Alfenas (MG). Coordenador dos cursos de licenciatura e bacharelado em Letras na mesma instituição. Doutor em Letras pela UNICAMP. Avaliador de cursos do INEP-MEC. Professor com 20 anos de exercício do magistério nos níveis médio e superior. Jornalista com 8 anos de exercício em redações de jornais e emissoras de rádio e TV. Autor de diversos livros e cerca de 50 artigos sobre literatura publicados em jornais e revistas. Atividades recentes Supervisor de imagem institucional da UNIFENAS (Alfenas, MG) entre janeiro e setembro de 2005. Ouvidor da UNIFENAS de outubro de 2003 a dezembro de 2005. Participação na Virtual Educa (Barcelona, Espanha) em junho de 2004. Curso de espanhol na escola de idiomas D. Quijote em Madri (junho/julho de 2004). Publicações (literatura e crítica) "Os 10 pecados de Paulo Coelho" (crítica; Vinhedo, Editora Horizonte, 2007) "Inferno de bolso etc." (poemas; Alfenas, Sic Edições, 2006) Cogumelos do Mais ou Menos (poemas; Alfenas, Sic Edições, 2005) "Primeiras Palavras do Mamute Degelado" (poemas; São Paulo, Coleção 100 Leitores, 2000) "O Dentro Mais do que Fora" - O Hospício como Alegoria em Três Romances dos Anos 70 (Brasília, UnB, 2000) "Teatro às escuras; uma introdução ao romance de Uilcon Pereira" (crítica; Pouso Alegre, Sic Edições, 1987) Resenhas de livros em O "Estado de S. Paulo", no "Jornal da Tarde" (2000 e 2001) e em "O Globo" (2008) Participação em coletâneas e publicações literárias de diversas regiões do país, desde 1983.

Eni de Lourdes Puccinelli Orlandi possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (1964), mestrado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (1970), doutorado em Lingüística pela Universidade de São Paulo e pela Universidade de Paris/Vincennes(1976). Foi docente na USP de 1967 a 1979, onde ensinou Filologia Românica, Lingüística e Sociolingüística. Depois, atuou como docente do Departamento de Lingüística do IEL, na Unicamp, de 1979 a 2002. Atualmente é coordenadora do Laboratório de Estudos Urbanos da Unicamp, professora do mestrado em Linguagem e Sociedade da Universidade do Vale do Sapucaí e professora colaboradora do IEL da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística, atuando principalmente nos seguintes temas: análise de discurso, lingüística, epistemologia da linguagem e jornalismo científico.

 

Giovanni Marques Santos é licenciado em Letras pela Universidade do Vale do Sapucaí (2007) e mestrando em Teoria e História Literária junto à Universidade Estadual de Campinas (2008-). Atualmente é professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: Raduan Nassar, romance brasileiro contemporâneo, Bíblia e literatura.

 

Joelma Pereira de Faria possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras "Eugênio Pacelli" (1994) e mestrado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Atualmente é professora da Universidade do Vale do Sapucaí, direção acadêmica da Fundação Educacional Dom José D´Angelo Neto e coordenação do Núcleo de Apoio à Produção Acadêmica da Universidade do Vale do Sapucaí. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Inglesa e Lingüística Aplicada a Língua Inglesa, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino-aprendizagem, formação de professores, pesquisa colaborativa, formação reflexiva e língua inglesa e formação para a monitoria.

 

Lauro José Siqueira Baldini é Graduado em Letras e fez Mestrado e Doutorado em Lingüística na UNICAMP, sob a orientação da Profa. Dra. Eni Orlandi. Sua área de atuação é a Análise de Discurso, com ênfase na articulação entre esta disciplina e os campos do marxismo e da psicanálise. É membro da Associação Brasileira de Lingüística (ABRALIN) e do Grupo de Estudos Lingüísticos de São Paulo (GEL). Atualmente, participa como pesquisador de dois projetos: História das Idéias Lingüísticas (UNICAMP) e Discurso, Memória e Processos Identitários (UNIVÁS). É professor do curso de Mestrado em Lingüística da UNIVÁS.

 

Maria Onice Payer possui licenciatura Plena em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Colatina, ES (1985), Mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (1992) e Doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (1999). Pesquisador (Tpct) na Universidade Estadual de Campinas (1994-2002), Professor Convidado na USP (Universidade de São Paulo), 2006. Pesquisadora colaboradora do Labeurb/Nudecri (UNICAMP). Coordenadora do GT de Análise de Discurso da ANPOLL (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Lingüística (2006-2008). Professora titular da Universidade do Vale do Sapucaí, da qual é Coordenadora de Pesquisa na área de Ciências Humanas, e onde orienta pesquisas em pós-graduação nas áreas de Análise de Discurso e de Língua e Ensino. Autora dos livros 'Educação popular e linguagem' (Ed. Unicamp) e 'Memória da língua. Imigração e nacionalidade'". (Ed. Escuta). Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Análise de Discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: memória e imigração, língua e memória discursiva; língua materna e língua nacional; leitura e escrita; mídia e constituição do sujeito contemporâneo; educação popular e movimentos sociais; relação cidade e campo.

 

Marisa Grigoletto possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Santo André (1974), mestrado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987) e doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (1998). É docente (professor doutor) da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Lingüística, em particular em análise do discurso e lingüística aplicada, com ênfase em Ensino e Aprendizagem de Língua Estrangeira, atuando principalmente nos seguintes temas: constituição de identidades, língua estrangeira, análise do discurso, língua inglesa e discurso. É membro do Conselho Editorial dos periódicos Trabalhos em Lingüística Aplicada (0103-1813), Contexturas (0104-7485) e Tradterm (0104-639X).

 

Mirian dos Santos possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Itajubá (1975), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Atualmente é professora titular da Universidade do Vale do Sapucaí e professora adjunta da Faculdade de Direito do Sul de Minas. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa e Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: linguagem verbal e visual, linguagem jurídica, discurso, semiose, intertextualidade.

 

Ronaldo Teixeira Martins possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1994), mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (2004). Atualmente é Professor Titular da Universidade do Vale do Sapucaí, Sócio-Proprietário da Cybernemics Language Solutions, Pesquisador-Associado da UNDL Foundation e Colaborador do NILC - Núcleo Interinstitucional de Lingüística Computacional, da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Lingüística Computacional, atuando principalmente nos seguintes temas: Tradução Automática, Revisão Gramatical e de Estilo Automática e Recuperação de Informação.

 

Telma Domingues da Silva possui graduação em Língua e Literatura Portuguesas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1984) , mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (1995) , doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (2002) e pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (2005) . Atualmente é Pesquisador colaborador da Universidade Estadual de Campinas e professor colaborador da Universidade do Vale do Sapucaí. Tem experiência na área de Lingüística. Atuando principalmente nos seguintes temas: Televisão, Comunicação, Analise de Discurso, Estruturalismo, Discurso jornalístico e Enunciação.

 

Programação

14 de agosto de 2009

08h00-09h00     Recepção e credenciamento

09h00-10h30     As "regras” e a "fábrica de língua” nas gramáticas francesas da Idade Clássica

                       Conferência: Prof. Dr. Jean Marie Fournier (Universidade de Paris III)

10h30-11h00     Coffee-break - Abertura da sessão de pôsteres

  • A Formação Crítico-Colaborativa de Professores no Contexto da Monitoria
    Fernando Venâncio da Costa (UNIVÁS)
    Joelma Pereira de Faria (UNIVÁS)

  • Algumas considerações sobre a significação no Direito à luz de Roman Jakobson
    Carolina Salbego Lisowski (UFSM)

  • Análise comparativa de dois casos de ensino-aprendizagem de língua inglesa para alunos com deficiência auditiva em escolas regulares
    Clarissa da Silva Bueno (UNIVÁS)
    Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (UNIVÁS)
    Denise Aparecida Gomes dos Santos (UNIVÁS)

  • Da polêmica sobre o uso das passagens aéreas por parlamentares brasileiros
    Jefferson Barbosa de Souza (Unicamp)

  • Memória Oral na Relação com o Ensino da Língua Escrita: Um Processo de Constituição do Sujeito Adolescente
    Maraísa Rodrigues Silva Borba (UNIVÁS)

  • O impacto da utilização de softwares de ensino de línguas em sala de aula: estudo de caso
    Rômulo Francisco de Souza (UFMG)

  • Silêncio e ensino: interlocuções necessárias?
    Anna Carolina de Siqueira Ferreira (UNIVÁS)

11h00-12h30     1ª Sessão de Comunicações

  • Como a língua materna afeta o sujeito na aprendizagem de línguas estrangeiras?

    Denise Souza Rodrigues Gasparini (UNICAMP)

  • Recursos utilizados na aprendizagem de Libras como L2

    Elidéa Lúcia Almeida Bernardino (UFMG)

    Rosana Passos (UFMG)

  • Construindo o significado de ser leitor em língua portuguesa: uma análise das interações numa turma bilíngue de alunos surdos

    Giselli Mara da Silva (UFMG)

    Maria Lúcia Castanheira (UFMG)

  • Pintura e fotografia: motivação para leitura e escrita

    Aurélio Takao Vieira Kubo (Escola Albert Einstein)

14h30-16h00     Língua materna e língua estrangeira (Mesa-redonda)

                        Profª Dra. Marisa Grigoletto (USP)

                        Profª Dra. Maria Onice Payer (Univás)
                        Profa. Me. Joelma Pereira de Faria (Univás)

16h00-16h30     Coffee-break

16h30-18h00     2ª Sessão de Comunicações

  • Intergenericidade em peças publicitárias: excelentes instrumentos de ensino-aprendizagem

    Dalcylene Dutra Lazarini (UFMG)

  • Literatura de Cordel e construção do conhecimento: uma relação segura e prazerosa

    Maria José Cavalcanti de Andrade (SEE/PE)

    Nílson Bandeira de Andrade (SEE/PE)

  • O discurso metafórico do grafite atravessado pela ideologia escolar

    Denise Aprecida Gomes dos Santos (UNIVÁS)

  • A mídia e a manipulação da opinião: um casamento amigável?

    Daniele de Oliveira (UFMG)

 

 

19h00-20h30     Literatura e sociedade (Mesa-redonda)

                        Prof.ª Dra. Aparecida Maria Nunes (Unifal)

                        Prof. Dr. Eloésio Paulo (Unifal)
                        Prof. Giovani Marques dos Santos (IEL/Unicamp)
                        Prof.ª Dra. Mirian dos Santos (Univás)

 

 

15 de agosto de 2009

09h00-10h30     A imagem da língua nas utopias da língua (URSS – 1910-1920) 
                       Conferência

                       Prof. Dr. Patrick Sériot (Universidade de Lausanne)

10h30-12h00     3ª Sessão de Comunicações

  • Língua como lugar de dissenso: a política de um nome

    Rejane Maria Arce Vargas (UFSM)

  • O discurso encarnado: ou a passagem da carne ao corpodiscurso

    Levi Leonel de Souza (UNIVÁS)

  • O nome da língua... Reflexão sobre a língua na perspectiva da AD

    Amanda Eloina Scherer (UFSM)

  • Reflexões acerca do funcionamento da noção de língua no Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul

    Verli Petri (UFSM)

 

 

14h00-16h00     Discurso e processos identitários na região sulmineira (Mesa-redonda)

                        Profª Dra. Eni Orlandi (Univás/Unicamp)
                        Prof. Dr. Lauro José Siqueira Baldini (Univás)
                        Profª Dra. Telma Domingues da Silva (Univás)

16h00-16h30     Coffee-break

16h30-17h00     Lançamento de livros

 

 

17h00-17h30     Sessão cultural

 

 

17h30               Encerramento

 

Resumos

As "regras” e a "fábrica de língua” nas gramáticas francesas da Idade Clássica

Prof. Dr. Jean Marie Fournier (Universidade de Paris III)

A exposição vai abordar a questão do estatuto do exemplo no discurso gramatical no século XVII e XVIII, através de um corpus representativo das gramáticas (Maupas, Oudin, Chifflet, Port-Royal, Régnier, Buffier, Girard, Beauzée). A hipótese do exemplo como seqüência autonímica dá conta só parcialmente do funcionamento semiótico desses enunciados, que, além disso, se manifesta sob uma certa diversidade. Em muitos casos, o exemplo vem acompanhado de marcas, ou comporta, ele próprio, marcas, que o constituem como representando um conjunto de enunciados. A introdução do exemplo no discurso gramatical conduz assim a convocar não um fato particular e singular mas uma classe de enunciados análogos cujo exemplo constitui de algum modo a matriz. A exposição vai se dedicar a destacar as marcas, nos discursos dos gramáticos, desse funcionamento semiótico específico: procedimentos de ligação do exemplo e do discurso gramatical, palavras metalingüísticas que designam o exemplo, estatuto semântico-referencial do léxico, uso dos pronomes que tornam impossível a construção de uma referência. O conjunto dessas marcas, dessas formas de discurso, constitui técnicas inventadas pelos gramáticos para reger esse problema elementar e constitutivo do discurso gramatical: a representação dos fatos lingüísticos e dos dados que a gramática procura descrever. Veremos, por exemplo, que o comentário dos exemplos torna necessárias as anáforas de um tipo particular que conserva o estatuto autonímico da seqüência comentada. Em outros casos, bastante numerosos igualmente, os exemplos se dão como pedaços de discurso relatado (as citações de autores, por exemplo, entre outros) e permanecem interpretáveis após colocar-se em relação com um universo de discurso identificável. Os exemplos nas gramáticas (como nos dicionários) constituem um discurso seguido.

 

 

A imagem da língua nas utopias da língua (URSS – 1910-1920)

Prof. Dr. Patrick Sériot (Universidade de Lausanne)

Os anos 1910-1920 na Rússia-URSS marcam uma época de mudanças nas idéias estabelecidas. Intelectuais burgueses moderados tornam-se revolucionários extremistas ou pensadores espiritualistas ou místicos; coloca-se em prática toda uma série de tentativas de “síntese” entre as correntes a priori incompatíveis (marxismo e cristianismo em particular). As utopias de língua representam um domínio imenso, ainda que, até hoje, pouco explorado, da história das idéias lingüísticas na Europa Oriental. Nós apresentaremos três tipos de textos. 1. A literatura de ficção, com A. Bogdanov, o teórico da proletkult (promotor da idéia de que a cultura proletária não tem nenhuma relação com a cultura burguesa, a tal ponto que possui uma língua diferente). No romance “A estrela vermelha” (1908), ele apresenta uma humanidade marciana tendo feito sua revolução socialista e falando uma língua que possui caracteres de regularidade e harmonia desconhecidas das línguas dos planetas da Terra. 2. Os projetos de comunicação com os extra-terrestres dos irmãos Gordin (1927) por uma escrita universal ao mesmo tempo transparente e poética. 3. Um tratado de “lingüística exata”, ou língua filosófica, de Jakob Lincbax (1916). Mas não é suficiente apresentar textos tão surpreendentes e exóticos: o objetivo desta exposição é o de mostrar a lógica comum dessas reflexões sobre a língua, repousando sobre a recusa total do arbitrário do signo, da autonomia do significante. Procuraremos reconstituir uma longa linhagem crátilo-humboldtiana, fortemente presente na Rússia graças ao conluio entre os príncipes neo-platônicos da Igreja oriental e á recepção muito positiva do romantismo alemão depois da vitória contra Napoleão em 1812. Faremos também paralelos com os grandes temas lingüísticos de um poeta como Mallarmé. Em conclusão, procuraremos algumas vias de exploração do lado da psicanálise, apoiando-nos sobre o livro de Otto Rank “O traumatismo do nascimento”(1927).

 

A Formação Crítico-Colaborativa de Professores no Contexto da Monitoria

Fernando Venâncio da Costa (Univás); Joelma Pereira de Faria (Univás)

 

A fim de amenizar os problemas que a escola pública vem enfrentando ano a ano como, por exemplo, falta de estrutura pedagógica, baixos salários, falta de motivação dos alunos, ausência dos pais no contexto familiar e escolar, indisciplina e falta de atenção, formação deficitária dos professores, entre outros fatores , algumas estratégias vem sendo adotadas por várias escolas da rede pública, tais como aulas de reforço, atividades voluntárias, parcerias com outras instituições, ações de cidadania e ética entre outras. Neste viés, uma escola da rede pública no Sul de Minas optou pela implantação de um modelo diferenciado de monitoria, conforme proposto por Faria (2003). O que a autora propõe é um trabalho conjunto de professores e alunos, desenvolvido em sala de aula, no qual os alunos trabalham em grupos na resolução de atividades e são, sempre que possível, acompanhados por um monitor da própria sala de aula, escolhido entre seus pares com base em critérios definidos previamente pelos professores. Entretanto, para que o projeto de monitoria anteriormente citado pudesse ser levado a cabo, tornou-se necessário propor ações de formação contínua junto aos professores atuantes na escola. Os professores foram convidados a integrar o projeto e seis deles tornaram-se participantes efetivos do projeto de trabalho e de pesquisa. O projeto de monitoria implantado por Faria (Tese em andamento) conta com a participação dos professores voluntários que lecionam diferentes disciplinas, como Química, Física, Português, Matemática, Geografia e Inglês. Ainda, o projeto tem como sujeitos-monitores, alunos selecionados de acordo com o nível de conhecimento de cada um. Essa seleção foi feita pelo professor de cada disciplina. A sala foi dividida em grupos de no máximo três alunos e cada grupo tinha um monitor e esse monitor mudava de grupo a cada quinze dias. Para que se pudesse alcançar bons resultados, desenvolveu-se primeiramente, um estudo junto aos professores e alunos participantes, sobre teorias que embasam a monitoria. Ainda, foram realizadas reuniões para estudos dirigidos e debates acerca das teorias estudas. A partir dessas ações conjuntas, foi possível comprovar resultados satisfatórios no que diz respeito à efetivação do aprendizado, extinção de dúvidas, esclarecimentos das dificuldades, maior apreensão dos conteúdos ministrados em sala de aula, desenvolvimento das competências e habilidades esperadas, maior segurança, desinibição e motivação dos alunos, além da diminuição dos índices de evasão e reprovação no referido curso. Para complementar as pesquisas realizadas no âmbito desse projeto, a atual pesquisa propõe uma análise do processo de formação de professores ao longo do projeto de monitoria para verificar qual é o desenvolvimento apresentado pelos professores em virtude das reuniões, estudos e debates realizados. Para tal, buscar-se-á responder as seguintes perguntas: • Quais as concepções de comunidade regras e divisões de trabalho para os professores na atividade de monitoria? • Como os professores desenvolvem a colaboração e a reflexão na atividade de monitoria? A presente pesquisa pretende mostrar o panorama de desenvolvimento reflexivo e colaborativo dos professores envolvidos no projeto de monitoria, bem como a contribuição por eles desenvolvida para o processo de Ensino-Aprendizagem. As teorias que embasam esta pesquisa são: Teoria da Atividade (Vygotsky, 1934; Leont’ev, 1978 e Engeström, 1999); Zona de Desenvolvimento Proximal – ZDP (Vygotsky, 1978); Colaboração (Magalhães, 1998); Reflexão (Liberali, 2003) e Linguagem ( Schettini, 2006).

Algumas considerações sobre a significação no Direito à luz de Roman Jakobson

Carolina Salbego Lisowski (UFSM)
 

O presente estudo propõe um olhar sobre a constituição da significação no discurso jurídico, à luz de noções que mobilizamos a partir dos estudos de Roman Jakobson (1969). A preocupação em subjetivar o discurso, em aproximar da linguística os conteúdos semânticos, a memória e o esquecimento daquele que fala e do que escuta, por exemplo, apontam para o interesse de Jakobson em pensar sobre a significação. O estudioso russo aponta para a polissemia dos discursos, nos quais os elementos extra-signos - mas que não são estranhos à linguística - significam e precisam ser por ela considerados. Postula que a pluralidade está nos sujeitos e nos seus pontos de vista, é permanente nas situações histórico-lingüística e é isso que as faz abertas e plurais. No momento em que o liame entre significante e significado acontece pela convenção, pelo costume, o sistema da língua não mais dá conta da linguagem em funcionamento e, sendo assim, a partir de Jakobson podemos pensar na estrutura que significa. Nesse mesmo sentido, Patrick Sériot (1999) afirma que Jakobson – assim como Troubetzkoy – reconhece a interligação, em nível estrutural, da linguagem com os demais fenômenos, entendendo que a inclusão desses fatores deve reger o pensamento científico. Assim, enquanto o sistema representa a forma, temos, na ordem da estrutura a representação da substância, motivo que faz certas construções não serem explicadas apenas pelo sistema, sem a interpelação da estrutura, já que ela extrapola a ordem do descritível. É, então, a partir disso que nos questionamos se o particular caberia em um sistema organizado por regras e modelos e seguindo então, a partir dessa noção mobilizada a partir de Jakobson, propomos pensar a significação no campo do Direito. Em que medida a polissemia inerente à significação, tida na concepção de Jakobson, realiza-se no discurso jurídico? De fato, podemos pensar que um juiz formula sua decisão através de significações latentes, que estão produzindo sentidos e, portanto, significando. Entretanto, em que medida todas essas significações podem ser mobilizadas em um espaço como o jurídico, no qual imperam as determinações advindas de um “Tribunal da Lógica” (Pêcheux, 2004) e os sentidos precisam ser formulados e explicados a partir das restrições de uma Língua de Madeira (Pêcheux, 2004)? Para tanto, propomos um olhar sobre os sentidos produzidos nos discursos de algumas sentenças judiciais, proferidas sob condições de produção específicas, e que procuram conferir esse efeito de unicidade de significação, dentro do próprio sistema jurídico. O que há é a constante alusão a discursos outros, de instâncias hierarquicamente superiores, como embasamento, indispensável, às decisões tomadas. Ao atravessarmos os efeitos de evidências propostos nesses discursos jurídicos, voltamos um olhar sobre a ideologia que domina esses discursos e que afeta, direta e decisivamente, a constituição de suas significações. Assim, diferentemente do fenômeno da significação que mobilizamos a partir de Jakobson, acreditamos que o Direito trabalha sem o espaço para a polissemia, de forma que podemos pensar em uma constituição arbitrária da significação. É a partir de “significações corretas”, ideologicamente insculpidas, que os textos normativos - portanto o sistema - passam a ser portadores de “certezas significativas”, as quais abafam e reduzem o que está contido na estrutura, a fim de, em última análise, garantirem a não contradição e a suposta aproximação do Direito ao que é “justo”. Assim, no Direito, pensamos que a significação precisa ser dada na ordem do sistema, para que a linearidade regule possíveis intervenções não previstas. É nesse sentido, por exemplo, que se explica a necessidade interminável de novas elaborações legislativas, já que, necessariamente, as significações do/no Direito precisam ser pré-construídas a partir do texto legal. Há uma carga ideológica anterior ao próprio fato que determina a sua (única) significação.

Da polêmica sobre o uso das passagens aéreas por parlamentares brasileiros

Jefferson Barbosa de Souza (Unicamp)

 

A partir da perspectiva da Análise do Discurso francesa têm-se o objetivo de analisar os efeitos de sentido gerados em sequências discursivas distintas, extraídas das edições 2109, 2110 e 2111 da Veja, envolvendo diferentes posições quanto à polêmica envolvendo políticos do Congresso Nacional em relação ao “uso” de cotas indenizatórias de passagens aéreas “para uso particular” por políticos brasileiros. A importância dessa análise se deve ao fato de que se trata de um acontecimento que tem a ver necessariamente com uma ruptura e/ou transformação nas práticas discursivas que envolvem todo um complexo discursivo político e social brasileiro.Historicamente, a política brasileira nunca havia sido questionada quanto aos gastos com passagens aéreas, pois o que se tinha como pressuposto é que elas eram utilizadas pelos congressistas com a finalidade de visitas às sessões da Câmara ou viagens especificamente políticas. Desde a redemocratização do Brasil, em 1985, quando o país deixou de ser presidido por generais, houve a reabertura do parlamento brasileiro, cuja finalidade é formular e viabilizar projetos legislativos que atendam às necessidades nacionais. Assim, tendo por condições de produção aquilo que torna possível a formulação e a compreensão de um processo discursivo (cf. Pêcheux, 1969:75), compreende-se que a denúncia e a sua posterior disseminação pela mídia provocaram reações tanto dentro como fora do Senado, concedendo contatos maiores entre os discursos e os interdiscursos, bem como à divergência ideológica das posições dos sujeitos no discurso.

 

Memória Oral na Relação com o Ensino da Língua Escrita: Um Processo de Constituição do Sujeito Adolescente

Maraísa Rodrigues Silva Borba (Univás)

A dissertação aborda um trabalho pedagógico, no campo da linguagem, de elaboração da memória histórico-discursiva, envolvendo a língua materna e a nacional. O sujeito-aluno-adolescente, participante da pesquisa, foi levado a realizar uma articulação, tanto em texto oral quanto escrito, da oralidade predominante na infância à prática em língua nacional, constituindo-se, enquanto autor, e como sujeito em/de seu texto. Nessa prática, tanto quanto nessa escrita, foi possível evidenciar como a língua materna e a nacional se transpassam. O trabalho de reformulação da memória oral, mobilizado através da (re)leitura e produção escrita dos contos de fada, como textos da infância, levou o sujeito a analisar e compreender elementos do universo simbólico infantil e dos conflitos da adolescência, a partir de nova posição discursiva adulta, ao submeter-se às ideologias que o interpelam à inscrição/produção de sentidos como adulto, em um processo de desidentificação em relação aos elementos simbólicos mais próprios da posição infantil.

 

O impacto da utilização de softwares de ensino de línguas em sala de aula: estudo de caso

Rômulo Francisco de Souza (UFMG)

 

A presente comunicação tem por objetivo apresentar os resultados de um estudo de caso em que se avaliou o impacto, nos alunos, da utilização, em sala de aula, de um software destinado ao ensino de língua italiana - a saber, o programa LALITA (Laboratorio Linguistico Telematico). O estudo de caso se mostrou necessário na medida em que se buscavam dados que poderiam justificar, ou não, a utilização desse software. Tentou-se avaliar, principalmente, dois aspectos: a reação/aceitação dos alunos e o modo de utilização do programa. No primeiro aspecto, analisou-se a atitude dos alunos em relação ao uso do programa. No segundo aspecto, verificou-se se o software deveria ser utilizado em momentos de avaliação formativa, em sala de aula; em um regime de três a quatro vezes durante o semestre, sem o status de prova, também em sala de aula; ou como atividade extra-classe, sem o status de prova. A avaliação foi feita no âmbito do curso de extensão da Faculdade de Letras da UFMG, em uma turma de língua italiana intermediária.

 

Silêncio e ensino: interlocuções necessárias?

Anna Carolina de Siqueira Ferreira (Univás)

É sabido há anos (e exemplificado no capítulo “Um desafio à democratização do ensino: o fracasso escolar” da obra “Democratização do ensino: meta ou mito?”, de 1979) que “a escola, longe de ser a escola de todos, favorece aos que já são favorecidos” (VIAL, p. 21). A esse respeito, Orlandi, na obra intitulada “A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso”, de 2001, procura discutir a noção de circularidade presente no âmbito escolar-social. A escola, nessa perspectiva, é uma instituição mascarada pela neutralidade sendo, de fato, mantenedora da estrutura de classes, limitando e decidindo – pelo prestígio de legitimidade que possui – a divisão de poder. Orlandi (2001) elucida esse processo, mostrando que a escola e seu sistema de ensino “convertem hierarquias sociais em hierarquias escolares e com isso legitimam a perpetuação da ordem social” (p. 22), isto é, o sistema de ensino acaba por ser mascarado por jogos políticos, perpetuando o ciclo de subordinação de uma classe social à outra. Nesse sentido, uma das formas de perpetuar a circularidade na escola consiste na interdição do dizer, isto é, no silenciamento. E é justamente o reconhecimento dessa realidade em relação ao ensino, o fator responsável pelo desenvolvimento desta pesquisa. Dentre inúmeras teorias referentes a estudos da linguagem, a da Análise de Discurso, especificamente a de linha francesa (se é que se pode delimitar, desse modo, tal área de estudo), será a principal fonte teórico-metodológica da qual esta pesquisa lançará mão. É importante ressaltar que a Análise de Discurso estrutura-se entre a Linguística e as Ciências Sociais, todavia, questiona-se aquela pela negação da historicidade inscrita na linguagem, e esta, pela noção de transparência linguística. Assim, relevam-se sentidos possíveis, levam-se em conta questões contextuais dos processos de produção de sentidos. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa, então, é identificar as possíveis marcas de silenciamento presentes em textos produzidos por alunos do Ensino Médio de uma escola da rede pública (Escola Estadual Silvério Sanches), situada no município de Itajubá. As observações a serem feitas acerca do contexto de sala de aula terão, como parâmetro teórico, a noção de silêncio, termo trabalhado por Orlandi na obra “As formas do silêncio: no movimento dos sentidos”, de 1992. Faz-se necessário, neste momento, elucidar o que se depreende por silêncio e silenciamento. Segundo Orlandi (1992), o silêncio é condição necessária para se significar; é a gama de possibilidades semânticas das quais os sujeitos podem fazer uso. Esse conceito é mais amplo, posto que constitutivo em face à significação. Todavia, o que nos interessa é a política do silêncio, ou seja, o silenciamento. Como a própria nomenclatura sugere, a questão de silêncio, nesse caso, está diretamente vinculada à questão política, bem como a questão do ensino. Assim, a política do silêncio abarca dois tipos de silenciamento, um de ordem constitutiva – o silêncio constitutivo – e outro de ordem circunstancial – o silêncio local ou censura. É exatamente este último, o que se refere à interdição do dizer, que será enfatizado nesta pesquisa, tomando-o como referência em relação a questionamentos de ordem processual à elaboração dos sentidos em sala de aula pelos alunos. Assim, a proposta do atual projeto de pesquisa é compilar um conjunto de produções textuais e analisar as condições de produção desses textos, observando as representações imaginárias que os participantes do processo educacional (professor e aluno) têm um do outro, e o discurso pedagógico que vigora em sala de aula. Assim, talvez se torne possível verificar em que medida a política do silêncio está presente no contexto escolar observado. E, também, com base nas possíveis discussões e reflexões futuras, talvez se crie a possibilidade de melhorar gradativamente, de certo modo, a realidade escolar apresentada em inúmeros livros e estudos científicos. Talvez não seja possível não silenciar, posto que não há neutralidade discursiva, de acordo com Orlandi na obra “Análise de discurso: princípios e procedimentos” (2005, p. 9). Entretanto, ao menos, consigamos nivelar as relações de poder que imperam nas salas de aula e que mantêm muitos alunos submersos em um mundo constantemente silencioso (e não me refiro ao silêncio fundador).

 

Como a língua materna afeta o sujeito na aprendizagem de línguas estrangeiras?

Denise Souza Rodrigues Gasparini (Unicamp)
 

A proposta deste trabalho é partir da noção de sujeito constituído e dividido na e pela linguagem, proveniente da psicanálise, para tratar de possíveis articulações entre linguagem – língua materna – língua estrangeira. Parto da hipótese que tal linguagem constitutiva do sujeito do inconsciente se configura e se materializa para ele como sua língua materna, campo no qual se encontra mergulhado desde sempre, e que é esta língua que inscreve os traços determinantes de sua subjetividade, sendo, então, estas marcas características as responsáveis pelas relações do sujeito com as demais línguas. Proponho três perguntas para direcionar esta discussão: a primeira diz respeito às implicações em se afirmar que um sujeito é constituído por linguagem e às contribuições que tais implicações podem oferecer para uma reflexão sobre a aprendizagem de línguas estrangeiras. A seguinte se refere ao estatuto que a língua materna pode ter para um sujeito e às conseqüências da ancoragem deste a esta língua quando se pretende aprender um novo idioma. A última questão pretende articular a hipótese psicanalítica de haver um sujeito constituído por linguagem à questões referentes ao ensino e aprendizagem de línguas, partindo da língua materna como campo simbólico que perpassa o contato do sujeito com as demais línguas. Busco analisar estas questões da posição de professora de língua estrangeira que, a partir da experiência profissional em diversos âmbitos do ensino de línguas (escolas regulares públicas e privadas, curso livres de idiomas, curso de graduação em letras) e em contato, nesta função, com públicos de faixa etária, situação socioeconômica, grau de instrução etc. bastante heterogêneos, sempre observou a chamada “aptidão” de determinados estudantes em oposição à “inaptidão” de outros, independentemente das condições acima elencadas. A partir do encontro com a psicanálise uma outra possibilidade de consideração e de reflexão sobre a questão se apresentou para mim, e é do lugar de pesquisadora e professora de língua estrangeira se deixando afetar por estas formulações teóricas que pretendo articular as questões propostas. Saliento que não é pretensão desta pesquisa oferecer conclusões ou respostas, mas apenas apresentar material para reflexão sobre a aprendizagem de línguas estrangeira como solicitando ao sujeito operações sobre as mesmas bases psíquicas onde está inscrita a língua materna, que tece seu inconsciente e registra suas questões de foro mais íntimo, e discutir quais as conseqüências que esta relação entre elementos que parecem ser, ao mesmo tempo, tão íntimos e tão distantes pode acarretar para alguém que se propõe a falar sobre si, sobre seu desejo e sobre mundo em um idioma outro que não sua língua materna.

 

Recursos utilizados na aprendizagem de Libras como L2

Elidéa Lúcia Almeida Bernardino (UFMG); Rosana Passos (UFMG)

 

A língua de sinais é uma língua de modalidade espaço-visual (FERREIRA-BRITO, 1995) que possui os mesmos aspectos lingüísticos que as línguas orais, tais como fonologia, sintaxe, semântica e morfologia. Entretanto, por ter uma produção manual e uma percepção visual, usa o espaço físico e o próprio corpo do sinalizador para a execução do conteúdo da mensagem visual. A exploração do espaço físico e o uso do próprio corpo são importantes elementos na interação. Esse uso do espaço físico favorece a iconicidade, uma vez que o espaço é mais “palpável” do que o tempo, que é a dimensão utilizada pelas línguas orais-auditivas (FERREIRA, 1997). Contudo, nem todo sinal é icônico, uma vez que a iconicidade, segundo Ferreira, não é universal. Ela depende dos referentes e da cultura de cada grupo sinalizador. Além disso, toda iconicidade é convencional, uma vez que existem sinais mais ou menos icônicos na Libras (QUADROS & KARNOPP, 2002: 31-32). Na morfologia das línguas de sinais, destacam-se os classificadores que fazem parte do núcleo lexical (QUADROS & KARNOPP, 2002) dessas línguas. Eles são responsáveis pela formação da maioria dos sinais já existentes, assim como pela criação de novos sinais. Os classificadores, por serem na maioria das vezes icônicos, lembram de alguma forma os gestos que acompanham a fala. Por esse motivo, também são muitas vezes confundidos com gestos, embora tenham características distintas e regras de formação bem claras. Neste trabalho, investigam-se quais recursos potencializam a aprendizagem de Libras como L2, tendo como objetivo a análise do uso de classificadores, de mímica e gestos naturais na elaboração de uma narrativa em Libras. A principal questão levantada é: Os alunos que apresentam maior facilidade para a produção de gestos e expressão corporal teriam um melhor desempenho na aprendizagem da Libras? A primeira hipótese deste trabalho é que o uso da gestualidade e de expressões corporais é um facilitador da aprendizagem de classificadores da Libras. A segunda hipótese é que a iconicidade influencia o tipo de classificador mais utilizado pelos alunos, ou seja, os classificadores mais icônicos seriam os mais utilizados no início da aprendizagem. A metodologia de trabalho utilizada foi observação participante, com a filmagem de textos em Libras, elaborada por dois grupos de alunos, aprendizes de Libras como L2. O primeiro grupo era composto de quatro alunos e o segundo grupo de seis alunos, numa faixa etária de 20 a 29 anos. Sete desses alunos já possuíam um conhecimento introdutório de Libras, e três deles nunca haviam tido nenhum contato com a língua. Solicitou-se que os participantes produzissem uma narrativa em Libras de tema livre, utilizando os recursos de classificadores aprendidos em aula. O primeiro grupo produziu um vídeo com duração de 3’54” min. e a filmagem do segundo grupo durou 5’21” min. Não houve a participação ou intervenção do professor na produção das narrativas. Os vídeos foram analisados qualitativamente pelos pesquisadores quanto ao tipo de recurso utilizado: classificadores, mímica ou gestos naturais. Buscou-se investigar o uso da gestualidade e de expressões corporais como um facilitador da aprendizagem de classificadores da Libras e também se os classificadores mais utilizados eram os mais icônicos. Os classificadores produzidos por cada participante nas narrativas foram identificados conforme os tipos de classificadores existentes na Libras (BERNARDINO, 2006) e sumarizados numa tabela. Constatou-se que, dentre os 10 participantes dos dois grupos, os dois tipos de classificadores mais icônicos apresentaram um maior número de ocorrências, confirmando a segunda hipótese. Porém, a primeira hipótese não foi confirmada, já que o participante que utilizou mais mímica e gestos naturais não foi o que mais produziu classificadores de qualquer tipo. Pesquisas sobre o ensino da Libras como segunda língua (L2) são ainda incipientes, assim como o ensino da ASL – Língua de Sinais Americana – (ver TAUB et. al., 2006 sobre o ensino de ASL como L2), no entanto têm-se configurado como um tópico relevante tanto para as áreas da Lingüística quanto para o Ensino de línguas. Além disso, compreender o processo de aprendizagem da Libras como L2 poderá contribuir para a inclusão das pessoas surdas.

Construindo o significado de ser leitor em língua portuguesa: uma análise das interações numa turma bilíngue de alunos surdos

Giselli Mara da Silva (UFMG); Maria Lúcia Castanheira (UFMG)

 

Numa proposta de educação bilíngüe para surdos, o ensino do português se dá sob a perspectiva de ensino de segunda língua e o acesso do aluno a essa “nova língua” ocorre, primordialmente, através da escrita (FERREIRA-BRITO, 1993; QUADROS, 1997; FERNANDES, 1999; COSTA, 2001). Em geral, a primeira língua da pessoa surda é uma língua espaço-visual e o contato com o texto escrito provoca uma ruptura com as práticas de linguagem até então vivenciadas por ela. Esse aspecto torna o processo de aprendizagem da leitura vivenciado pela pessoa surda diferenciado daquele vivenciado por ouvintes, que aprendem a ler na mesma língua da interação face a face (CHAVES, 1998; BOTELHO, 2002; LÓDI; HARRISON; CAMPOS, 2003). Pretende-se, então, nesta apresentação, examinar como os participantes da sala de aula – alunos surdos e professora ouvinte – constroem e reconstroem o que significa “ser letrado” em LP, mais especificamente, de “ser leitor”, observando-se as relações que estabelecem entre a Libras e a língua portuguesa durante a leitura de textos e analisando-se como lidam com as diferenças entre tais línguas. Estamos assumindo que a construção do significado de letramento é construído localmente por participantes de um grupo social que, ao longo de suas interações, estabelecem papéis e relações, direitos e deveres, demandas e expectativas de participação nas práticas letradas (BORKO & EISENHART, 1989; BLOOME, 1989; CASTANHEIRA, 2007). Para observar esse processo adotamos uma abordagem interpretativista da aprendizagem e a etnografia interacional como lógica de pesquisa (CASTANHEIRA, 2004; GREEN, DIXON & ZAHARLICK, 2005). Os dados analisados foram coletados por meio de observação participante (SPRADLEY, 1998), gravação em vídeo, entrevistas e cópias de artefatos (cadernos, atividades, etc.), numa escola da rede pública municipal de Belo Horizonte, durante três meses. Constatou-se que os participantes da sala de aula lidam com o processo de leitura em segunda língua mediado pela língua de sinais de diferentes formas, desde a utilização do português sinalizado até a criação de um novo texto em Libras a partir dos textos em língua portuguesa.

 

Pintura e fotografia: motivação para leitura e escrita

Aurélio Takao Vieira Kubo (Escola Albert Einstein)

Há tempos os programas oficiais e manuais pedagógicos já incorporam a noção de letramento. Contudo, o ensino de língua ainda não conseguiu aplicá-la completamente no cotidiano das salas de aula. Dessa forma, não se pode dizer que a escola realmente consiga garantir competências e habilidades para a leitura de textos verbais e não-verbais. Neste trabalho, discutiremos duas faces do problema leitura: a leitura de textos pictóricos e fotográficos, bem como o seu lugar no ensino de língua. As justificativas para esse recorte lastreiam-se em duas razões básicas: 1) promover uma educação do olhar pelo contato com objetos estéticos; 2) aumentar as probabilidades de alcance da zona de desenvolvimento proximal, já que, na imagem, certos conceitos tornam-se mais concretos que no texto verbal. O texto – objeto de leitura – precisa ser ampliado para abarcar também a imagem. Para isso, a noção de discurso torna-se crucial. Dessa forma, nossa fundamentação teórica considera discurso como uma parcela dos ideais e concepções de um grupo social determinado, numa época determinada. Grupos sociais diferentes geram ideias divergentes entre si. Assim, os discursos diferenciam-se e identificam-se no permanente confronto. Um discurso pertence ao plano do conteúdo é veiculado por textos. O texto é da ordem da manifestação, ou junção de um conteúdo a um plano de expressão; é a materialização das idéias nos mais diversos meios de expressão: a língua (escrita e falada), a pintura, a fotografia etc. Cada plano de expressão tem suas potencialidades e restrições. Um plano de expressão não apenas veicula um conteúdo, mas também o recria e agrega-lhe novos sentidos. Com uma definição ampliada de texto, a pintura e a fotografia já não causam estranhamento em uma aula de língua portuguesa. A partir daí, podem-se buscar analogias entre o verbal e o não-verbal. Conceitos como discurso, texto; narração, descrição, foco narrativo; metáfora, metonímia; pressupostos e subentendidos, entre outros, tornam-se mais concretos quando se confrontam textos verbais e imagens. E, conforme buscaremos demonstrar neste trabalho, também a escrita tem a ganhar com a leitura de imagens. A experiência mostra evoluções na estruturação global dos textos; na construção de referências; e na coesão, uma vez que as retomadas anafóricas da imagem exigem alto grau de precisão nas nomeações. Assim como a seleção de qualquer conteúdo, a escolha dos textos não-verbais não prescinde de um posicionamento político. Considerando que um dos objetivos é enriquecer o universo cultural dos alunos, a escolha de imagens altamente valorizadas soa mais coerente que a decisão de trabalhar com charges, publicidade e quadrinhos. Outra questão importante diz respeito às temáticas exploradas. Por exemplo, certa unidade pode ser encontrada em telas de Candido Portinari e em fotografias Sebastião Salgado nas ocasiões em que eles tematizam o homem brasileiro e seu trabalho. Esses mesmos temas podem ser confrontados em outras estéticas anteriores, o que dá motivos para acionar noções como a de discurso, manutenção e ruptura de tradições estéticas.

 

Língua estrangeira e identidade: discursos sobre as línguas, processos subjetivos e efeitos de fronteira

Profa. Dra. Marisa Grigoletto (USP)

Meu objetivo nesta intervenção é discutir a relação língua estrangeira-identidade, por meio da análise do discurso sobre línguas estrangeiras na mídia brasileira em contato/confronto com o discurso escolar e educacional, mais amplamente. O discurso da mídia será analisado ressaltando-se, no seu modo de funcionamento, o movimento de homogeneização e apagamento da diferença, bem como a constituição de efeitos de fronteira, na produção de divisões imaginárias entre saber e não saber uma língua estrangeira. Do discurso escolar e educacional sobre línguas estrangeiras, salientarei uma relação de contradição que perpassa esse discurso, que encontra seu reforço no discurso da mídia e que resulta em uma certa “identidade de falante/não falante ou aprendiz/não aprendiz de língua estrangeira”. Pretendo concluir refletindo sobre a influência desse funcionamento discursivo na constituição de posições de sujeito, ou seja, em processos de identificação.

Língua materna e língua estrangeira

Profa. Dra. Onice Payer (Unicamp/Univás)

Na perspectiva da teoria do discurso, enfatizando o trabalho da memória discursiva, focalizamos a relação sujeito/língua, em seus processos de identificação. Colocando em relação as noções de língua nacional e de língua materna, constatamos, empiricamente, e propomos, teoricamente, uma necessidade fundamental para os trabalhos com a língua: a de discernir entre o que seja língua materna e língua nacional. Este discernimento é proposto em vários aspectos: 1) como conceitos diferentes; 2) como materialidades distintas e 3) como dimensões da linguagem que operam diferentemente no enlace do sujeito à língua, dado o funcionamento da memória na/da língua. Os processos históricos de silenciamento e de legitimação das línguas (cf. Orlandi) produzem identificações dos sujeitos em relação à materialidade lingüístico-discursiva, e estas identificações têm, portanto, valor no processo discursivo. A compreensão desses processos desafia o trabalho com a língua, em sua relação com a memória, nos espaços institucionais.

A monitoria como instrumento para o ensino de língua inglesa nos cursos de Letras

Joelma Pereira de Faria (UNIVÁS/LAEL-PUCSP)

O ensino de Língua Inglesa nos cursos de Letras tem sofrido grandes alterações nos últimos anos. Cerca de 15 a 20 anos atrás, os alunos ingressantes nesses cursos já possuíam conhecimento e relevante domínio da língua escrita e falada. Esse era um fator diferencial para a eficácia e evolução dessa disciplina, o que fazia com que o objetivo maior dentro do curso fosse a formação profissional e qualificada de professores de Língua Inglesa e não a aprendizagem da língua como, em geral, acontece atualmente. Na atualidade, o aumento no número de alunos nos cursos de Letras tem tornado as salas de aula cada vez mais numerosas e heterogêneas. Também, o grande número de universidades, principalmente privadas, que não se encontram organizadas para o desenvolvimento de competências, habilidades e de profissionais qualificados têm sido fatores agravantes para o surgimento de uma série de problemas. Além disso, o que se percebe na formação dos professores é a propagação de modelos antigos e não um processo que os prepare para atuarem em um mercado de trabalho que conta, cada vez mais, com uma diversidade de contextos e situações (Celani, 2003; Celani & Magalhães 2000; Cavalcanti & Moita-Lopes,1991). Para dar conta do complexo e difícil contexto acima apontado, pode-se trabalhar com monitores, divididos em grupos, atuando em sala de aula, em conjunto com os alunos que detêm menor conhecimento da língua, para o desenvolvimento de um trabalho em que os participantes se tornem co-autores na prática docente, isto é, tornam-se colaboradores atuantes em um processo de ensino-aprendizagem pretendido por todos. A motivação para a este tipo de prática é, portanto, a tentativa de promover um processo reflexivo em que professores e monitores possam compreender suas ações, criar novas alternativas capazes de propiciar situações de ensino-aprendizagem que estimulem a interação e a busca de soluções para as dificuldades vivenciadas, bem como para o problema maior vivido pelos alunos destes cursos – sala numerosa e a grande heterogeneidade de conhecimento da língua alvo. 

Intergenericidade em peças publicitárias: excelentes instrumentos de ensino-aprendizagem

Dalcylene Dutra Lazarini (UFMG)
 

Partindo-se da concepção de que qualquer ato de linguagem tenciona persuadir outrem sobre algo e que diversas estratégias são empregadas no discurso publicitário para se vender um produto, neste estudo serão focalizadas peças publicitárias as quais se utilizam de diferentes gêneros textuais, tais como: carta, poema, provérbio entre outros, a fim de divulgar o produto anunciado. A essa mesclagem ou intergenericidade, Marcuschi (2002) denominou de “intertextualidade inter-gêneros”. Para o estudo da intergenericidade em publicidades impressas, foi preciso que o embasamento teórico proviesse da Teoria da Enunciação (Bakhtin, [1953]1994) ligada aos gêneros discursivos, relacionando-os aos estudos de Dolz e Schneuwly (1996) sobre a capacidade de linguagem dominante – argumentar. Esta, ao amalgamar em anúncios publicitários código verbal e não-verbal em prol do convencimento para aquisição de um determinado produto, utiliza-se de estratégias argumentativas postuladas para convencer e/ou influenciar os consumidores de um modo atrativo e sedutor. Além dos autores citados, Marcuschi (2002), ao enfatizar a instabilidade de alguns gêneros, referindo-se à célebre afirmação bakhtiniana “Os gêneros discursivos são dados na cultura, são formas relativamente estáveis que permitem a estruturação da totalidade do discurso” (Bakhtin, [1953]1994: 301), contribui para o desenvolvimento desta pesquisa, principalmente ao afirmar que a publicidade tem um caráter subversivo, apontando a “intertextualidade inter-gêneros” como um interessante estudo. Dessa forma, a intergenericidade em sala de aula auxilia a leitura e a interpretação dos mais variados gêneros, além de oportunizar um conhecimento mais vasto sobre eles. Assim, serve de instrumento a ser analisado para a formação cidadã, já que os anúncios são veículos para divulgar um produto desejado pelos consumidores. Sob uma perspectiva qualitativa interpretativista, o estudo de peças publicitárias contribuirá de modo significativo para uma educação transformadora e não meramente reprodutora de uma ideologia, no momento em que o professor esteja preocupado em habilitar o aluno para ler imagens e códigos. Ao se analisar de forma crítica às quais aspirações humanas o discurso publicitário procura satisfazer, o aluno poderá se tornar um leitor proficiente, sendo capaz de desvendar as mensagens subliminares que envolvem esse interessante discurso.

Literatura de Cordel e construção do conhecimento: uma relação segura e prazerosa

Maria José Cavalcanti de Andrade (Secretaria de Educação de Pernambuco); Nílson Bandeira de Andrade (Secretaria de Educação de Pernambuco)

 

Pensar a escola em sua função de democratização é entendê-la como o espaço que garante aos seus alunos, entre outros aspectos, o acesso aos saberes lingüísticos necessários para se comunicarem, obterem informações, expressarem idéias e defenderem opiniões. Enfim, para utilizarem a linguagem como um instrumento de construção do conhecimento.O referido projeto surge da necessidade de trabalhar com estudantes do 1° ano do ensino médio os conteúdos para a compreensão acerca do nível lingüístico, físico, social, cultural e científico, na tentativa de suprir as dificuldades dos discentes quanto à leitura, produção, compreensão e interpretação de textos nas diversas disciplinas. O cordel foi selecionado para a execução desse trabalho tendo em vista sua relação com o trovadorismo, conteúdo contemplado nas aulas de literatura dessa série escolar. Esse projeto objetiva interpretar criticamente textos da poesia medieval trovadoresca e da literatura de cordel brasileira, considerando os aspectos relacionais, literários, culturais, históricos e ambientais por eles apresentados, levar ao conhecimento dos discentes as xilogravuras produzidas por José Francisco Borges, um dos artistas mais celebrados da América Latina, residente na cidade de Bezerros, no agreste pernambucano cuja arte é a criação das imagens alegóricas e divertidas que ilustram os folhetos e posteriormente propor atividades de produção escrita de cordel abordando diferentes temáticas nas várias disciplinas, garantindo melhorias no processo ensino-aprendizagem, consolidando o fazer pedagógico dos professores e o aprender significativo e prazeroso dos alunos. PALAVRAS-CHAVE: Cordel; Trovadorismo; conhecimento.

O discurso metafórico do grafite atravessado pela ideologia escolar

Denise Aprecida Gomes dos Santos (Univás)
 

Este trabalho pertence à área de pesquisa Língua e Ensino do Mestrado Ciências da Linguagem da Universidade do Vale do Sapucaí. Tem como proposta responder como se articula a relação entre os sujeitos envolvidos no processo – aluno x professor/ escola e compreender que sentidos permeiam o uso do grafite em sala de aula. Para isso, apresenta como corpus questionários e textos produzidos pelos alunos do 1º Ano do Ensino Médio da Escola Estadual Presidente Bernardes, em Pouso Alegre, MG. Os textos foram analisados pela perspectiva da Análise de Discurso da linha francesa que permitiu focalizar, no discurso materializado através do grafite, as marcas produzidas por esse sujeito ao ser interpelado pela história, língua ideologia dentro do ambiente escolar. Por ter a sociedade cristalizado a ideologia de que a urbanidade de uma língua se dá pela escrita, que por sua vez tem seu lugar de aquisição remetido ao espaço escolar; sede da reprodução cultural, a escola, por ser um aparelho ideológico do Estado, através da dissimulação, se estabelece e atribui um estatuto de necessidade, instituindo um saber legítimo, que valoriza somente o que deve ser dito e visto pelos protagonistas do processo ensino-aprendizagem. E, ao cumprir sua “missão” historicamente instituída, assujeita o aluno de acordo com a sua formação ideológica que a coloca com a responsabilidade de produzir consciência de língua e cidadania, como também, acaba produzindo um simulacro, pois o aluno não é autor, por não estar autorizado a dizer de acordo com a sua realidade e, se somente é autorizado a dizer de uma forma e não de outra(s), passa a se significar através do não-dito. Por outro lado, a escrita, manifestação eminentemente social, permite ao homem, ao se assujeitar à língua, se significar perante o seu meio através do uso de signos convencionados socialmente. Porém, a apropriação da linguagem, por ser um ato social, possui sentidos diferenciados por estar intrinsecamente relacionada a quem emite, como e para quem é emitida. Logo, por ser um produto de identificação e de reação recíproca não pode ser vista meramente como uma forma de o sujeito se comunicar; ele, através dela, também se identifica. Assim, o grafite, ao mesmo tempo em que permite ao sujeito manifestar sua identidade e significar-se, é um discurso, com materialidade própria que não reside no conteúdo ocultado, mas no próprio mecanismo de produção desse conteúdo. Tanto os de rua como os escolares, pela Análise de Discurso, são lidos como traçados que silenciam sentidos e denunciam outros que a sociedade não permite que sejam apontados; constituem-se como um gesto de rompimento por não corresponder ao padrão de escrita que a sociedade autoriza. No espaço escolar, ao estabelecer um confronto entre o discurso pedagógico autoritário e o sujeito-aluno, deixa marcas de resistência, através do silêncio constitutivo, oriundo do simulacro formal em que é assujeitado. Diante dessa constatação, urge o despertar da consciência do educador a fim de que possa alterar a prática atual do discurso pedagógico que manipula ao mesmo tempo em que anula o sujeito-aluno. Enquanto a escola continuar silenciando sentidos, exercendo o falso papel da inclusão por não permitir ao sujeito-aluno que se posicione como interlocutor para ser ouvinte do próprio texto, estará reproduzindo a massificação da consciência crítica. Somente através de um discurso pedagógico não autoritário, marcado pelo diálogo é que os protagonistas do processo ensino-aprendizagem poderão dominar o referente e serem parceiros do processo interlocutivo. Tanto o professor quanto o aluno passarão a desempenhar novos papéis dentro da escola e, consequentemente, o discurso metafórico do grafite produzido dentro da sala de aula deixará de ser marcado pelo gesto de resistência e os sentidos, obviamente, serão outros.

A mídia e a manipulação da opinião: um casamento amigável?

Daniele de Oliveira (UFMG)

De um modo geral, a opinião, expressa pela mídia, seja impressa ou falada, torna a mídia responsável pela veiculação da opinião que emerge em determinada sociedade. Neste trabalho procuramos refletir sobre o conceito de opinião, tendo em vista a opinião veiculada na mídia impressa. A opinião pública pode ser entendida como uma forma de representação da sociedade na qual emerge, além de ser constituída dialógica e intertextualmente. Há que se destacar também os “porta-vozes da opinião”, ou seja, aqueles que exercem uma função interpretativa em relação à opinião. Os jornalistas são os responsáveis tanto por transmitir aos governantes (“fazer conhecer”) os anseios do povo, suas reações, quanto por informar ao público (“fazer compreender”) sobre a significação e as razões das condutas políticas. De acordo com Landowski “a ‘opinião pública’ não é apenas uma figura da história que se conta, ela tem ligação direta com os sujeitos da comunicação em busca da sua própria identidade” (1992, P. 40). Além disso, “Toda argumentação visa à adesão dos espíritos” (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005, P. 16) e, portanto, é necessário que haja também um contato intelectual, que haja uma comunidade efetiva entre os espíritos. O que nos conduzirá a uma reflexão sobre a interação midiática, considerando-se suas peculiaridades. Van Dijk (2008) aponta o acesso a alguma forma de discurso público como a possibilidade de manipulação e cita, dentre outros, o artigo de opinião e a publicidade, aos quais acrescentamos o editorial, como meios de influenciar outros através da fala e da escrita. O instrumental teórico selecionado para embasar essa reflexão constitui-se pelas noções de opinião expresso por Landowski (1992), pelos conceitos de dialogismo e interdiscursividade propostos por Bakhtin, de interação midiática (THOMPSON, 2008), de argumentação (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005) e de manipulação (van DIJK, 2008). Para tanto, foram selecionados dois editoriais, A linha de frente, e Feliz ano-novo?, da revista impressa Caros Amigos para análise. Este trabalho constitui os apontamentos iniciais de minha pesquisa de doutorado em Análise do Discurso, iniciado este ano, na Faculdade de Letras da UFMG.

 

As receitas de matar de Clarice Lispector jornalista

Profa. Dra. Aparecida Maria Nunes (Universidade Federal de Alfenas)

Como colunista de páginas femininas – Entre mulheres, Feria de utilidades e Só para mulheres – publicadas entre as décadas de 1950 e 1960, em periódicos do Rio de Janeiro, Clarice Lispector, além de se adaptar à linguagem e à estética da imprensa feminina, manejou com personalidade o ofício de escrever narrativas em forma de conselhos, receitas e segredos para um público-alvo específico: a mulher. Mas, curiosamente, nas quase 500 colunas que produziu, encontram-se algumas receitas de matar. O que poderia ser um inocente conselho para a prestimosa dona-de-casa, nada mais é que um exercício de ficção de Clarice, que subverte a coluna feminina. Sob o signo de “eficaz”, tais receitas denotam o percurso criativo da escritora, como sugerem, por exemplo, os textos que aviam a maneira de matar baratas, que, mais tarde, transformar-se-ão no conto “A quinta história” e ainda como substrato em A paixão segundo G.H. 

As formas do protesto na ficção pós-64

Prof. Dr. Eloésio Paulo (Unifal)


O fenômeno literário é, por definição, um fenômeno social. Se o primeiro impulso autoral costuma ser o da expressão, nunca se mantém intransitivo, supondo sempre a figura do leitor. No Brasil sob a ditadura militar instalada pelo golpe de 1964, como cedo notaram Antonio Candido e Davi Arrigucci Jr., a literatura logo se deixou marcar pela intenção de protestar contra o autoritarismo. Em vários estudos sobre a ficção do período, transparece a intenção de cumprir uma "função vicária" (Arrigucci) com relação aos conteúdos censurados. Ao mesmo tempo, certa linhagem de obras manteve a tradição de pesquisa formal (notadamente marcada pela fragmentação do material narrativo) que remonta ao primeiro Modernismo e ao Machado de Assis do "Brás Cubas". Abordando o caso de Uilcon Pereira, romancista pouco estudado apesar de bastante original, procuraremos indicar como em sua obra "No coração dos boatos" convergem, como numa enciclopedização das preocupações dominantes entre os narradores que publicaram suas obras na vigência do regime militar, o conteúdo político encenado num interrogatório à primeira vista nonsense, e a pesquisa das possibilidades formais do romance num cenário literário esteticamente condicionado pela linguagem da indústria cultural.

 

Lavoura Arcaica

Giovanni Marques Santos (Unicamp)

 

O romance Lavoura arcaica (1975), do escritor paulista Raduan Nassar, revela clara intertextualidade com o texto bíblico, evidenciada em relações intertextuais tanto de captação quanto de subversão. Esses intertextos diversos dão origem a dois discursos fundamentais em oposição, que encenam o embate social entre as vozes da autoridade e da contestação. O solene discurso do pai, imitação dos textos sapienciais do Antigo Testamento (particularmente dos livros de Provérbios e Eclesiástico), recria a ordem sagrada do kósmos, a “obediência absoluta à soberania incontestável do tempo”, que pretende impor sua rigidez e hierarquia também ao campo das relações sociais. O discurso paterno é posto em questão pela voz subversiva do filho-narrador, André. Por meio de uma fala verborrágica, o narrador “pisoteia” os textos sacros, manipulando-os a seu favor. As palavras de André visam a minar o discurso que sustenta o precário equilíbrio do kósmos patriarcal, pôr a nu suas fissuras e contradições e celebrar a derrocada da ordem familiar. O romance de Nassar mostra-se, sob essa perspectiva, não só como um palimpsesto bíblico em estado de possessão demoníaca mas também como uma polifonia dissonante e violenta, reveladora do conflito entre as vozes da heteronomia e da autonomia.

Língua como lugar de dissenso: a política de um nome

Rejane Maria Arce Vargas (UFSM)

 

A contemporaneidade vem sendo marcada pelo discurso da mundialização, este que produz entre outras coisas um imaginário consensual sobre língua nacional, sobre sujeitos. Presentificado fortemente nesse discurso, o nome ‘comunidade’ é um dos elementos para se pensar o funcionamento da língua na sociedade do tempo presente. O modo como a palavra vem sendo discursivizada repousa em uma visão consensual de mundo, apagando sujeitos, sentidos e filiações, sobrepujando a diferença constitutiva do real. O lugar dessa diferença é o discurso, uma vez que o confronto do simbólico com o político tem um objeto próprio que é o discurso (Orlandi, 1998). Dessa forma, nossa proposta é desencadear uma reflexão em torno do nome comunidade em seus limites, em seus confrontos, como lugar de dissenso, sobretudo considerando o político em funcionamento nas discursividades, na esteira da compreensão de que a palavra estabelece lugares simbólicos (Scherer, 2009), (re)parte o real, o que se processa irremediavelmente via linguagem. Objetivamos problematizar o nome comunidade sob o viés do político em três horizontes: o da direção, divisão de sentidos (Orlandi, 2004, 2005), o do dissenso/desentendimento que põe em xeque o suposto consenso sobre as relações de partilha na sociedade (Rancière, 1996, 1998) e este como algo que é próprio da divisão que afeta materialmente a linguagem (Guimarães, 2005), levando em conta que um discurso recobre uma concepção de língua. Nosso interesse de pesquisa e de tese aponta para um funcionamento do nome caracterizado por um certo imaginário que vem sobredeterminando a noção ‘comunidade’ que, ampla e controversamente, tem se prestado para designar toda e qualquer coisa de caráter minimamente gregário. Essa configuração põe em movimento, especialmente, o par inclusão/exclusão social, o qual também encontra a saturação de sentidos, ao passo que a exclusão se dissolveria via inclusão normativa. Em face dessa conjuntura, nosso trabalho alicerça-se, basicamente, no enunciado: agora a moda não é mais favela... é comunidade, a ser considerado em relação à reflexão de Peter Pál Pelbart (2003, p. 31) a qual aponta que “quem diz sociedade já diz perda ou degradação de uma intimidade comunitária, de tal maneira que a comunidade é aquilo que a sociedade destruiu”. O corpus do trabalho será constituído de “flagrantes” (Orlandi, 2001), lembretes, partes, pedaços, fragmentos da narratividade urbana constituída dessa dispersão nos dias de hoje. Assim, analisamos o enunciado supracitado, motriz de nosso trabalho, recortado de um comentário veiculado na mídia radiofônica acerca da nova política habitacional implementada no País, além de outros ‘flagrantes’ cotidianos, essencialmente coletados do discurso em circulação na internet. A pergunta a qual submeteremos os recortes será a seguinte: o que comunidade está designando e/ou o que está apagando? Esse questionamento visa a nos dar elementos para complexificarmos a discursivização da palavra na contemporaneidade, na medida em que “a designação é o modo pelo qual o real é significado na linguagem” (Guimarães, 2007, p. 82). Tal processo, entretecido na base linguística, é compreendido como uma possibilidade de se refletir sobre memória da língua e língua da memória (Scherer, 2003) em que o nome se apresenta como forma de dirimir conflitos, calcado em um imaginário ao qual subjaz um sujeito despolitizado, uma política imaginária da identidade e da linguagem (Scherer et al., 2003), que ora encontra novas materialidades de circulação em larga escala as quais contribuem para uma pasteurização da diferença, via produção consensual de lugares simbólicos de segregação destinados às comunidades, aos pobres, ou mesmo aos ‘sem-lugar’, ‘sem-nome’, porque eles todos poderiam então ser ‘identificados’ como pertencentes a uma certa ‘comunidade’. Assim, o exame do caráter fundamental do político da/na língua nos permite antever que ‘comunidade’ apresenta-se como a panaceia para as moléstias sociais, e tem servido antes para corporificar perversamente preconceitos, dimensão esta que visamos a tratar em seus limites, pensando sobre a política do nome mediante novas discursividades.

 

O discurso encarnado: ou a passagem da carne ao corpodiscurso

Levi Leonel de Souza (Univás)

Apresento aqui o percurso de minha dissertação de mestrado e algumas consequências de se falar do corpo do sujeito tendo como ferramentas os saberes da Análise do Discurso, numa pesquisa teórica. O objeto de estudo foi um problema enunciado como a passagem da carne ao corpo como efeito do discurso. Trago os rumos tomados para complexificar a evidência do corpo, uma vez que este aparece como instância nodal do sujeito nos diversos saberes, impondo que só há sujeito em um corpo. Esta aparição do corpo à frente de qualquer relação do sujeito com o mundo encobre sua gênese e constituição. Nesta constituição fica esmaecido que o corpo é, em primeira instância, ainda que teórica, carne. A carne passa a corpo por um processo, que chamei, naquele texto, discursivização da carne, trabalho realizado ciosamente pelos agentes ideológicos que cuidam de imaginá-la, esperá-la, erguê-la, educá-la, administrá-la, alocá-la em corpodiscurso. Todo esse longo processo de discursivização da carne – cuja gênese vem desde antes da concepção e nascimento do indivíduo, se estende por toda sua vida – e não se acaba com o desaparecimento da carne. Esse infinito trabalho e retrabalho do corpo é feito discursivamente e isso implica língua, linguagem, história, ideologia; tendo isso em jogo trouxe à cena as conquistas teóricas da Análise do Discurso, a partir de Pêcheux e Orlandi, autores fundamentais na dissertação, para entender e ampliar a compreensão do corpo como efeito de linguagem, consolidando sua apresentação como a corporificação do discurso. O corpo é a materialidade do sujeito apropriada pelo Estado, remarcado pelas instâncias ideológicas e enformado por uma dialética política. Tal processo erige a subjetividade, desde que entre em cena uma tela de sustentação ideológica, cujos nós são as famílias e seus valores históricos. É nesse entremeio que a dissertação buscou entrever o como se dá a discursivização da carne em corpo, em que lugar isso acontece, em que momento, em que presença. De Louis Althusser emprestei a máxima “indivíduo interpelado em sujeito pela ideologia”, para desenvolver a idéia de que o sujeito é um efeito ideológico elementar. De D. W. Winnicott usei a expressão “preocupação materna primária”, estado especial da mãe ou de quem faz a maternagem, como o momento onde os efeitos ideológicos se fazem apresentar por meio do corpo maternante e da maternagem. Essa “língua” materna, faz com que a língua estrangeira – a língua do outro – se torne familiar, e que o sujeito, por meio da inscrição deste texto na carne, faça o processo de identificação ideológica. Relembrei, numa teoria do discurso, que este processo se dá no e com o corpo do indivíduo inicial, na carne nascente. Ao interpretar a carne para o bebê a instância maternante erige o corpo, e nessa construção surge o sujeito. Soube, com a construção do texto, que o conceito de corpo no interior dos vários nichos de saber se apresenta multívoco, ambíguo e deslocando-se constantemente, inclusive retomando conceitos total ou parcialmente abandonados e mesmo conceitos contrários convivendo em uma mesma sociedade de pensamento. Problemas: ao tentar visualizar essa passagem – como produto da discursivização da carne – parece que acabei por entrar num viés onde o corpo é condição sine qua non para a constituição do sujeito, que a discursivização da carne constrói o sujeito. Entendi que algo se fixou daquilo que Orlandi já trazia de um corpo, que tal como a cidade, deve ser entendido pelo discurso. Talvez algo deva ser dito desta composição corpo/sujeito, onde a barra pode ser a representação da situação sui generis de um sujeito cuja aparição só se dá pela corporalidade – resultado da discursivização da carne infans. Outra dificuldade da proposta são os fantasmas de um certo biologismo e desenvolvimentismo, espectros de psicologismo, que desde Pêcheux se vem conjurando no correr da constituição da AD. Agamben (em Estado de Exceção), ao dizer que não “existem, primeiro, a vida como dado biológico natural e a anomia como estado de natureza, [ou que] a vida pura e simples é um produto da máquina e não algo que preexiste a ela, assim como o direito não tem nenhum fundamento na natureza ou no espírito divino”, nos abre espaço para que em futuros aportes ao corpo o entendamos como pré-existente à carne, ou seja, a carne é uma invenção ideológica, algo que apontei na dissertação, mas não segui com consequencias mais profundasi. Isso implica um sujeito cuja carne é uma invenção linguístico-histórico-ideológica, já objeto da psicanálise, e que pode ser pesquisado pela lente do discurso (o Prof. Dr. Ronaldo Martins já apontara esse problema durante minha apresentação do texto).

 

O nome da língua ... Reflexão sobre a língua na perspectiva da AD

Amanda Eloina Scherer (UFSM)

Nosso eixo central de estudos tem se colocado na relação entre dois campos teóricos do conhecimento sobre a linguagem. O primeiro campo é o da Análise de Discurso, pelo seu avanço teórico e seus aportes analíticos para a reflexão sobre a relação: língua, sujeito, história e memória. Já o segundo, o da História das Idéias Lingüísticas, como tem sido desenvolvido no horizonte brasileiro, nos traz à tona a importância de se refletir sobre a história disciplinar moderna e sua contribuição mais especificamente para a história da Lingüística de uma maneira geral. A relação entre os dois campos tem contribuído de forma ímpar no desenvolvimento de nossas pesquisas e tem nos ajudado a avançar a/na reflexão sobre a importância de se entender de que maneira o que é produzido academicamente por lingüistas está afetado de um lado, pelo lugar ocupado por ele e de outro, pelo seu entendimento do que seja científico na relação teoria e prática. Temos procurado, primeiramente, explicitar as condições de produção de tais documentos para poder elucidar/entender/compreender de que forma o envolvimento ( ou não) do sujeito lingüista em políticas públicas de produção do conhecimento afeta a tal produção e, por conseqüência, o desenvolvimento de pesquisas futuras oriundas desse fazer. O que tem nos levado, em um segundo momento, a refletir sobre a circulação das idéias lingüísticas sobre a língua e que pode ser pensada pela maneira como o sujeito representa seu lugar, como também por sua história, por sua formação intelectual em Lingüística e, por fim, pelo seu imaginário acerca da língua. Nosso entendimento está alicerçado no pressuposto de que refletir sobre a circulação do conhecimento sobre a língua é uma forma de se refletir sobre o que é dar às pessoas o acesso ao conhecimento, na sociedade em geral (Guimarães, 2007) e como elas tomam tais instrumentos para si e constituem um saber sobre a língua na ilusão de ruptura mas repleta pela continuidade. Para a presente comunicação, portanto, buscaremos refletir sobre o papel do lingüista em políticas públicas relativas ao ensino de línguas. Tomamos aqui como estudo analítico três domínios do conhecimento sobre a língua: a psicolingüística, a lingüística aplicada e a lingüística da língua de um modo geral para procurarmos entender de que forma os “acréscimos” à língua tais como: materna, estrangeira, segunda, alvo, língua 1, língua 2 entre outras, estão presos às designações conceituais da Lingüística Aplicada e da Psicolingüística. Já as formas: o inglês, o francês, o português, o tupinambá, o guarani etc. estão tomados pelo lugar ocupado pelo lingüista, ora designando a comunidade, ora a língua, indistintamente (Tabouret-Keller, 1997). Para tanto, tentaremos descrever de que maneira tais relações, que se estabelecem quando da descrição do aparato teórico e metodológico sobre a forma de designar a língua, vão ser determinantes para se entender a história disciplinar e seus domínios de saber.

 

Reflexões acerca do funcionamento da noção de língua no Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul

Verli Petri (UFSM)

 

A noção de língua tem sido bastante discutida no âmbito da Análise de Discurso, revelando diferentes modos de abordagem e fazendo emergir as diferenças entre língua materna e língua nacional; língua estrangeira e segunda língua; língua imaginária e língua fluida, para citar algumas. É na esteira destas reflexões que inscrevemos nosso trabalho que objetiva trazer à baila o funcionamento da noção de língua no processo de dicionarização de termos regionalistas do/no Rio Grande do Sul. Trata-se de um espaço simbólico e territorialmente marcado pela diferença, seja ela em relação aos “gauchos” da Argentina e do Uruguai, seja ela em relação aos brasileiros de outros estados da federação. De fato, observamos que a produção cultural, artística e literária de cunho regionalista riograndense do sul é marcada pela presença constante do mito do gaúcho, revelado na imagem do “centauro dos pampas”, bem como é representada por um vocabulário bastante específico, marcado pela oralidade, muito mais próximo da representação de uma “língua fluida” do que de uma “língua imaginária” (noções discutidas por Orlandi, 2009). No entanto, observamos que essa linguagem regionalista do sul do Brasil também passa pelo processo de tecnologização, através do qual são produzidos instrumentos linguísticos especialmente concebidos como espaço de manutenção, colocando em funcionamento um imaginário de língua regional. Trata-se da manutenção de saberes, da manutenção de uma história (na qual ficção e realidade se misturam), da manutenção de uma identidade dita como “gaúcha”, via língua. Sabemos que é pela instrumentalização dessa linguagem regionalista que se torna viável, em muitos casos, a leitura de textos artísticos-literários produzidos sob o título de “gauchescos”, pois é pelo funcionamento desta tecnologia que se realiza o efeito ilusório de contensão do processo de produção de sentidos. É sob tais condições de produção que apresentamos o Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes, publicado em 1982 (atualmente na 11ª edição), como objeto discursivo, por nós estudado nos últimos anos. Para este trabalho nos deteremos especialmente em dois verbetes: “linguagem gauchesca” e “poesia gauchesca”, nos quais é possível observar o funcionamento da noção de língua em suas relações com as formas de identificação do sujeito gaúcho. Tais verbetes nos conduzem a refletir também sobre as relações entre língua e literatura, tendo em vista que o dicionário apóia-se essencialmente na produção literária, seja para tentar conter os processos de produção de sentidos, seja para instrumentalizar um leitor ainda jovem ou que desconheça a linguagem regionalista.

 

Os sentidos de uma estátua: espaço, individuação, acontecimento e memória

Profa. Dra. Eni Orlandi (Unicamp/Univás)

 

Como acontece, frequentemente, na história dos homens, para se falar em identidade fala-se em "solo e sangue". Tomo a estátua de Fernão Dias Paes Leme, que fica à entrada de Pouso Alegre, na rodovia que tem seu nome, como objeto de uma análise discursiva. Chamo então a atenção para a "identidade" que aí irrompe. Identidade como a pensamos na análise de discurso: ela não é uma essência em si mesma mas resulta de processos de identificação. Nesse caso, essa identidade é refém de critérios de nacionalidade, de cidadania, da caracterização de uma região brasileira, a região sul mineira de que Pouso Alegre é uma referência inequívoca. A partir daí exploro a relação da estátua com um símbolo de nossa história , com a territorialidade. E a questão que busco responder é: como se individua o sujeito de Pouso Alegre pelo discurso de e sobre Fernão Dias? Ou: como Fernão Dias significa  sua intervenção no território que identifica Pouso Alegre e seus habitantes? 

 

Uma cidade na rede

Prof. Dr. Lauro Baldini (Univás)

 

A partir do referencial teórico da Análise de Discurso, tentamos refletir sobre o modo como se relacionam o “real” e o “virtual” relativamente à cidade de Pouso Alegre. Partindo da consideração de que não há discurso sem sujeito, nem sujeito sem ideologia, assumimos que falar de internet, assim, significa falar de relações entre discursos e entre sujeitos, e se trata de pensar se tais relações têm uma configuração específica no caso do ciberespaço. Além disso, é preciso considerar, em que medida e de que modo, tal espaço possibilita (ou não) o surgimento de novos sentidos. Para abordar tal questão, procuramos refletir sobre o modo como se constroem os sentidos para a cidade de Pouso Alegre num corpus específico: as comunidades do site de relacionamento Orkut.

 

Pouso Alegre do Mandu

Profa. Dra. Telma Domingues da Silva (Univás)

 

O presente trabalho partiu do projeto de discutir as formas de um discurso sobre o meio ambiente presentes na textualidade que narra a origem da cidade de Pouso Alegre, a partir dos autores locais. Foram selecionados trechos das obras de Queiroz (1948), Carvalho (1982) e Gouvêa (1998). O Rio Mandu aí se destacou: Pouso Alegre tem no Rio Mandu um elemento destacado da sua história, como parte constante da cidade e suas transformações. O Rio Mandu deu nome à primeira capela, ao primeiro povoado: a “origem” do povoado, que depois se transformou na cidade de Pouso Alegre, é significada como um rancho à margem esquerda do Rio Mandu. De maneira geral, podemos dividir em três momentos a discursividade da urbanização em relação ao meio ambiente: (1) o momento do “desbravamento” (descoberta/ exploração) do meio ambiente; (2) a expansão da indústria e da concentração urbana e (3) a proteção ambiental. Faremos uma análise considerando esses três momentos e o modo como o rio vai sendo tomado. 

 

Análise comparativa de dois casos de ensino-aprendizagem de língua inglesa para alunos com deficiência auditiva em escolas regulares

Clarissa da Silva Bueno (Univás); Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (Univás); Denise Aparecida Gomes dos Santos (Univás)


A educação inclusiva é uma tendência que há alguns anos tem ganhado força no cenário nacional. Porém, apesar do suporte legal o processo de inclusão tem levado professores a enfrentar problemas difíceis, quase sempre em situações inesperadas, até mesmo porque não são todos que estão dispostos a adequar sua prática pedagógica às necessidades destes indivíduos, para que o processo de ensino-aprendizagem seja, realmente, eficaz. Durante a Antiguidade e por quase todo o período da Idade Média, o surdo foi visto, até mesmo por leis, como um ser irracional, primitivo, não educável, não cidadão, pessoas castigadas e enfeitiçadas, doentes privados de alfabetização e instrução, forçados a fazer os trabalhos mais desprezíveis, além de viverem sozinhos e abandonados na miséria. Para Vygotsky a surdez é a deficiência que causa maiores danos no ser humano, pois ela atinge exatamente a função que desenvolve a fala, a linguagem e todas as suas utilizações. Se o ensino de Língua Portuguesa para o deficiente auditivo, em uma escola inclusiva, é um grande desafio para que o processo de ensino-aprendizagem seja eficaz, imaginemos então o processo de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, sabendo que esta língua possui sons que a Língua Portuguesa não têm, como por exemplo, o som do /th/. Assim, esta pesquisa teve por objetivo relatar dois casos de inclusão de alunos com deficiência auditiva nas escolas, particular e privada, regulares inclusivas e contribuir para uma melhora no processo de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa para estes educandos, analisando quatro tópicos: a) a escola inclusiva capacita seus educadores?; b) reações entre professor/alunos, alunos/aluno inclusivo; c) didática utilizada pelo professor de Língua Inglesa, d) posição da família perante a inclusão em escolas regulares. Neste ambiente encontramos alunos e professores ouvintes, falantes da Língua Portuguesa, alunos com deficiência auditiva, não falantes de LIBRAS e que usam aparelhos de amplificação sonora, envolvidos na tarefa de ensinar/aprender a Língua Inglesa. A pesquisa foi realizada a partir de uma abordagem qualitativa de natureza etnográfica. Os dados foram coletados a partir de observações de aulas, registro de campo, visita nas escolas e entrevistas com os responsáveis pelos alunos participantes. O estudo foi desenvolvido em duas escolas regulares de ensino, sendo uma escola pertencente à rede particular de ensino, e a outra pertencente à rede estadual de ensino de Pouso Alegre, MG. Participaram da pesquisa, dois professores de Língua Inglesa e dois alunos com deficiência auditiva, sendo um professor e um aluno de cada escola. Constatou-se a dificuldade e o despreparo dos professores em lidar com os alunos inclusivos e, muitas dessas dificuldades, emergem de crenças relacionadas a eles. Observou-se três crenças: 1ª) Não é preciso saber Língua de Sinais [para ensinar alunos com deficiência auditiva], basta falar alto e devagar que eles entendem. 2ª) Ensinar inglês para alunos “normais” em escola pública já não é fácil, imagine então ensinar inglês para alunos surdos em escola pública. 3ª) Eles [alunos com deficiência auditiva] não sabem nem o português direito, imagine o inglês. Ficou evidente que existe uma grande diferença no processo de ensino-aprendizagem entre as escolas regulares inclusivas: enquanto uma preocupa-se em melhorar o processo de ensino-aprendizagem de língua estrangeira atendendo às diferenças dos alunos, sem diferenciar o ensino para cada um, a outra continua servindo como meio de reprodução de cultura e ideologias dominantes no ensino de línguas, “marginalizando” todo aquele que se mostra diferente, acreditando na “incompetência” ou “incapacidade” de aprendizagem destes alunos. O educando não é apenas o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. Vale frisar que é o educador quem modifica seu processo de ensino (metodologia) para facilitar a aprendizagem. O seu trabalho, aliado ao de alunos e pais, com a colaboração de todos os participantes interessados em uma educação inclusiva de qualidade, pode trazer mudanças significativas à realidade educacional brasileira. Espera-se que se este trabalho venha a contribuir para a reflexão de muitos profissionais envolvidos no ensino da Língua Inglesa para deficientes auditivos. Tal reflexão será o primeiro passo para novas metodologias de ensino-aprendizagem desta língua para portadores de deficiência auditiva no contexto regular de ensino.

 

O impacto da utilização de softwares de ensino de línguas em sala de aula: estudo de caso

Rômulo Francisco de Souza (UFMG)

 

A presente comunicação tem por objetivo apresentar os resultados de um estudo de caso em que se avaliou o impacto, nos alunos, da utilização, em sala de aula, de um software destinado ao ensino de língua italiana - a saber, o programa LALITA (Laboratorio Linguistico Telematico). O estudo de caso se mostrou necessário na medida em que se buscavam dados que poderiam justificar, ou não, a utilização desse software. Tentou-se avaliar, principalmente, dois aspectos: a reação/aceitação dos alunos e o modo de utilização do programa. No primeiro aspecto, analisou-se a atitude dos alunos em relação ao uso do programa. No segundo aspecto, verificou-se se o software deveria ser utilizado em momentos de avaliação formativa, em sala de aula; em um regime de três a quatro vezes durante o semestre, sem o status de prova, também em sala de aula; ou como atividade extra-classe, sem o status de prova. A avaliação foi feita no âmbito do curso de extensão da Faculdade de Letras da UFMG, em uma turma de língua italiana intermediária.

 

 

Resultados

Trabalhos aceitos para apresentação oral

(em ordem alfabética de título)

  • A mídia e a manipulação da opinião: um casamento amigável?
    Daniele de Oliveira (UFMG)

  • Como a língua materna afeta o sujeito na aprendizagem de línguas estrangeiras?
    Denise Souza Rodrigues Gasparini (Unicamp)

  • Construindo o significado de ser leitor em língua portuguesa: uma análise das interações numa turma bilíngue de alunos surdos
    Giselli Mara da Silva (UFMG)
    Maria Lúcia Castanheira (UFMG)

  • Intergenericidade em peças publicitárias: excelentes instrumentos de ensino-aprendizagem
    Dalcylene Dutra Lazarini (UFMG)

  • Língua como lugar de dissenso: a política de um nome
    Rejane Maria Arce Vargas (UFSM)

  • Literatura de Cordel e construção do conhecimento: uma relação segura e prazerosa
    Maria José Cavalcanti de Andrade (SEE/PE)
    Nílson Bandeira de Andrade (SEE/PE)

  • O discurso encarnado: ou a passagem da carne ao corpodiscurso
    Levi Leonel de Souza (UNIVÁS)

  • O discurso metafórico do grafite atravessado pela ideologia escolar.
    Denise Aprecida Gomes dos Santos (UNIVÁS)

  • O nome da língua ... Reflexão sobre a língua na perspectiva da AD
    Amanda Eloina Scherer (UFSM)

  • Pintura e escrita: motivação para leitura e escrita
    Aurélio Takao Vieira Kubo (Escola Albert Einstein)

  • Recursos utilizados na aprendizagem de Libras como L2
    Elidéa Lúcia Almeida Bernardino (UFMG)
    Rosana Passos (UFMG)

  • Reflexões acerca do funcionamento da noção de língua no Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul
    Verli Petri (UFSM)

 

Trabalhos aceitos para apresentação na modalidade pôster

(em ordem alfabética de título)

  • A Formação Crítico-Colaborativa de Professores no Contexto da Monitoria
    Fernando Venâncio da Costa (UNIVÁS)
    Joelma de Faria Pereira (UNIVÁS)

  • Algumas considerações sobre a significação no Direito à luz de Roman Jakobson
    Carolina Salbego Lisowski (UFSM)

  • Análise comparativa de dois casos de ensino-aprendizagem de língua inglesa para alunos com deficiência auditiva em escolas regulares
    Clarissa da Silva Bueno (UNIVÁS)
    Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (UNIVÁS)
    Denise Aparecida Gomes dos Santos (UNIVÁS)

  • Da polêmica sobre o uso das passagens aéreas por parlamentares brasileiros
    Jefferson Barbosa de Souza (Unicamp)

  • Memória Oral na Relação com o Ensino da Língua Escrita: Um Processo de Constituição do Sujeito Adolescente
    Maraísa Rodrigues Silva Borba (UNIVÁS)

  • O impacto da utilização de softwares de ensino de línguas em sala de aula: estudo de caso
    Rômulo Francisco de Souza (UFMG)

  • Silêncio e ensino: interlocuções necessárias?
    Anna Carolina de Siqueira Ferreira (UNIVÁS)

 

Apoio

MESTRADO E DOUTORADO

Programa de Pós-Graduação

em Ciências da Linguagem